Na Trave

Todos os esportes são movidos por resultados e no futebol não é diferente, mas o que o brasileiro parece não entender, é que para se ter resultado precisa de um trabalho antes. Muitos clubes tem 4 ou 5 treinadores diferentes por ano, a cada dois meses é um novo, não tem como ter resultados assim.

A troca constante de treinadores, pode ser relacionada a falta de comando das diretorias, os clubes são altamente influenciados pela mídia e principalmente pela torcida. Sabemos que a torcida age pelo coração e não pela razão, se o time está ganhando o técnico é bom, mas se perde ele não presta.

Essa cultura não perdoa nem mesmo ídolos eternos do clube, por isso Zico nunca quis assumir o Flamengo. Rogério Ceni pensou diferente do meia flamenguista e se deu mal. O goleiro artilheiro, é o maior ídolo da história do São Paulo e em 2017 virou técnico da equipe, o time jogava bem e os resultados estavam vindo, porém o clube precisava vender jogadores para equilibrar as contas, foi aí que as coisas desandou. Ceni teve seu time desmontado duas vezes nos 7 meses que esteve no cargo, perdeu peças importantes como David Neres, Luiz Araújo, Thiago Mendes, Maicon e Lucas Pratto. Após ter seu elenco desmontado, o treinador começou a não gerar resultados e não aguentou a pressão, acabou demitido. E agora após um ano de trabalho no Fortaleza, Rogério já conquistou o Brasileirão Série B e o campeonato estadual.

O Campeonato Brasileiro, começa no próximo fim de semana e já tem clubes sem treinador. Foram apenas 4 meses de bola rolando em 2019 e 8 clubes da série A já trocaram de técnico. No São Paulo, já passaram Jardine e Mancini, atualmente o comandante é o experiente técnico Cuca. Nas últimas semanas, o Atlético-MG demitiu Levir Culpi e ainda não contratou um substituto, Rogério Ceni surge como favorito para a vaga.

Na Chapecoense, Ney Franco substituiu Claudinei Oliveira, enquanto o Bahia trocou Enderson Moreira por Roger Machado e o Botafogo trouxe Eduardo Barroca após a saída de Zé Ricardo. No último domingo após perderem a decisão de seus respectivos estaduais, 3 treinadores foram demitidos: Alberto Valentim deixou o Vasco, Mauricio Barbieri foi demitido do Goiás e Lisca do Ceará. Apenas o Ceará já anunciou o substituto, se trata de Enderson Moreira que havia sido demitido pelo Bahia.

Dessas demissões a que mais chama atenção é a de Mauricio Barbieri, o jovem treinador com passagens pelo Flamengo, conquistou 74% dos pontos que disputou. Ao todo foram 20 jogos, sendo 14 vitórias, 4 derrotas e 2 empates, neste período o time marcou 34 gols e sofreu 16. O que não dá para entender é o motivo dele ter sido demitido, o trabalho realizado era um dos melhores do país, mas não se sustentou após perder a final do campeonato goiano para seu maior rival, o Atlético-GO.

Agora esbarramos em outro importante ponto para entender o motivo de tantas demissões: clássico. Ganhar do maior rival é de extrema importância e em alguns estados, ganhar um clássico é mais importante que ganhar um título. Então quando se perde jogos assim normalmente o contrato é rasgado.

Na contramão desses clubes temos Cruzeiro, Grêmio e Internacional, são os clubes com maior tempo com o mesmo treinador. Mano Menezes, é o técnico com mais tempo de cargo atualmente, desde julho de 2016 no comando do Cruzeiro, o treinador conquistou 2 Copas do Brasil e 2 Campeonatos Mineiro, além de atingir a marca de 200 jogos no comando da raposa.

No Grêmio, o ídolo do clube Renato Gaúcho, comanda a equipe desde setembro de 2016, sendo assim o segundo treinador com mais tempo no cargo na atualidade, neste período ele conquistou 2 Campeonatos Gaúchos, 1 Libertadores, 1 Copa do Brasil, 1 Recopa Sul-Americana e 1 Recopa Gaúcha.

No lado vermelho de Porto Alegre temos Odair Hellmann, o terceiro técnico com mais tempo no cargo, ele assumiu o Inter em novembro de 2017, ainda na Série B e no ano seguinte de volta à elite nacional ele fez o inesperado, terminou o campeonato em terceiro lugar.

O que sabemos é que isso tem que acabar. Vai acabar? Não. Mas para o futebol brasileiro voltar a ser o que era antes, temos que cortar culturas como essa. O ideal seria no mínimo um ano com o mesmo técnico, começando deste a pré-temporada, assim o treinador terá tempo para implantar sua filosofia de jogo e poder colher frutos de seu trabalho.

Vinícius Souza

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